Editorial - 20/10/2005
Defendendo o "SIM"
Prometi abrir espaço para a publicação de um texto de internauta defendendo o "SIM", já que tô pendendo ao "NÃO" e ainda não mudei de idéia. Segue abaixo a opinião de Alysson M. Costa. Bom proveito e bom voto no referendo! (Maurício Ricardo)
Maurício Ricardo diz que vota não, e eu entendo perfeitamente a sua posição. Em uma sociedade segura e honesta, já seria suspeito alguém votar contra um
direito adquirido, quem dirá no Brasil, onde o medo é quase padrão?
Nesse tom, os argumentos do não são quase que imbatíveis: não mudará nada; estão tirando o direito do trabalhador honesto (e não dos bandidos, que compram no mercado negro) e etc. Então, se entendo (e concordo) com tudo isso, por que voto sim?
Eu voto sim porque não acredito no homem, mas na humanidade. Explico-me: dar a alguém, por mais controlado e coerente que essa pessoa possa ser, o direito de ter uma arma é um crime contra o resto da sociedade. Somos
todos homens imperfeitos... E como homens imperfeitos, erramos, esquecemos, somos traídos (se bem que nesse caso, a imperfeita é ela), nos enganamos. Poderia rechear este parágrafo de dados, com o número de crianças que morreram por brincar com as armas "esquecidas" pelos pais
em uma gaveta, ou o número de maridos e mulheres mortos em um "flagrante-delito na cama", mas, lembremos sempre, esse é um site de humor e não merece um texto cheio de estatísticas. O ponto é: a sociedade merece que o número de armas em circulação seja diminuído! E o fim da comercialização é uma boa maneira de começar.
Claro, o referendo quem sabe não venha no melhor momento. Seria melhor estar tentando limpar Brasília dos maus políticos? Seria melhor estar tentando acabar com o comércio ilegal de armas ? Seria melhor estar tentando acabar com o crime organizado ? Sim, sim e sim! Mas isso não quer dizer que seja ruim querer o desarmamento. Aliás, votar não porque há outras medidas melhores a serem tomadas seria como dizer que eu não vou limpar a sala da minha casa porque a cozinha está muito mais suja!
Ora, se me foi dada a oportunidade de tomar uma atitude a favor de uma sociedade mais pacífica, vou fazê-lo, ainda que eu saiba que existam outras maneiras mais eficientes e necessárias. (Aliás, ao contrário de alguns, acho que o voto pelo sim é uma mensagem clara aos políticos de
que queremos mais recursos para segurança, mais fiscalização na polícia, mais combate ao crime, e etc.).
Sim, quero que o governo faça a parte dele. Mas quero também dizer que eu sou contra a necessidade de armas nas casas brasileiras. E votando sim, estou dando meu pequeno passo para que o Brasil se transforme em uma sociedade mais humana, porque, como disse antes, tenho medo do homem
com suas paixões - sobretudo quando este está armado - mas acredito piamente na humanidade!
Alyssom M. Costa é internauta, frequenta o Charges.com.br e vota "SIM"
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