Editorial - 09/10/2005
Por enquanto sou pelo NÃO

"Eu gostaria de saber o que você sente com relação ao desarmamento (em outras palavras,se você vai votar SIM ou NÃO). Muitíssimo obrigado - Anônimo - Piracicaba - SP
Ainda não é uma posição definitiva, mas hoje eu votaria NÃO.
O SIM - é óbvio - não será nem de leve a solução pro fim da violência no Brasil, que tem razões mais profundas: má distribuição de renda; péssima educação pública; polícia desequipada, desqualificada e mal remunerada, entre outras.
Me sensibilizo com o posicionamento dos que querem a probição da venda de armas por temerem seu mau uso. Por outro lado, vejo o SIM como uma clara intromissão nos direitos adquiridos de pessoas responsáveis, que possuem armas por razões legítimas e justificáveis.
Não tenho revólver e não quero ter, mas me incomoda a idéia de não poder comprar um se quiser. É como se me julgassem previamente, já que não mataria ninguém numa briga de trânsito, não assassinaria minha esposa se a pegasse com o ricardão e muito menos deixaria o revólver ao alcance dos meus filhos.
Também não gosto de saber que os ladrões saberão que não tenho armas.
Outra coisa que me incomoda muito é a própria idéia do referendo e a forma como ele vem sendo conduzido. As campanhas, simplistas, estão dividindo país, botando uma metade da população contra a outra, como se de um lado estivessem os bonzinhos a favor da paz e, do outro, truculentos e passionais malucos armados.
O Brasil honesto e trabalhador se degladia, enquanto a violência institucionalizada continua a solta.
Era mesmo necessária essa comoção toda? As leis de controle para o posse de arma já são bastante rigorosas; vencendo o "SIM", quem tem arma não precisará devolver; psicopatas e bandidos não entregam seus revólveres em campanhas de desarmamento e quem quiser realmente comprar arma vai conseguir facilmente no mercado negro.
Era a hora pra esse referendo? A gente taí, numa briga entre irmãos. Todos vítimas. Enquanto isso o Brasil chafurda no mesmo triste e velho mar de lama, que vazou no governo Lula mas é tão velho quanto a nossa República.
Ah, francamente. Acho que a gente deveria gastar nossa energia, poder de argumentação e mobilização popular unidos, a favor de causas mais importantes. Prisão pros deputados comprados e compradores de deputados, por exemplo. Prisão pra empresários que financiam favores políticos. Fim da conivência policial e da passividade governamental em relação ao crime organizado.
Por tudo isso é que, pelo menos agora, tendo a votar "NÃO".
Não quero dizer "SIM" pra mais nada que venha carregado de esperança com muito pouco poder efetivo de mudança.
Já caí nessa. Chega.
Detestaria ser vítima dos paradoxais "pacifistas violentos", que estão dopados por esse referendo idiota e agridem quem tem opinião contrária à deles. Mas por enquanto sou "NÃO". E acho pouco provável que eu mude de idéia com base nos argumentos que escutei até agora.
Maurício Ricardo Quirino é criador do Charges.com.br e promete publicar neste espaço, em igual número de linhas, os melhores argumentos a favor do SIM enviados à nossa Redação.
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