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Editorial - 16/07/2003

Apresentadores de telejornal

Já apresentei telejornal e sei o quanto é difícil. Um monte de coisa pra falar, ali ao vivo, lendo as letrinhas que passam na frente da câmera, numa maquininha chamada teleprompter. Se alguma coisa sai errada, é o apresentador quem fica ali no ar, com cara de bundão. E aí não têm anos de prática que disfarcem o constrangimento.

Todo telespectador é meio sádico, e adora ver apresentadores passando vexame. Não adianta negar, amigo internauta: você gosta sim, e se diverte quando o âncora de telejornal escorrega. Talvez a gente goste tanto porque o erro acaba sendo um contraponto às notícias escabrosas que acompanhamos todo dia, sei lá.

As gafes mais comuns todo mundo já viu: os famosos tropeções numa frase ou palavra, e aquela que eu particularmente curto mais: o silêncio constrangedor quando ele anuncia uma matéria e o pessoal da técnica atrasa pra por no ar.

Diante deste tipo muito comum de falha, os apresentadores costumam reagir de duas maneiras: uns ficam imediatamente com cara de susto e olham, repetidamente, pra câmera e pro lado. Outros fazem de conta que não é com eles e olham pra baixo, fingindo ler alguma coisa, até finalmente o tirarem do ar. Neste caso, bom é quando os segundos passam, passam, e nada. O apresentador dissimulado acaba tendo que encarar a câmera e dar uma explicação esfarrapada. É um barato ver cair a máscara.

Fazer TV ao vivo não é pra qualquer um, não. Pra ser um apresentador convincente, além de boa voz e dicção, o profissional tem que ter aquilo que uma inesquecível campanha publicitária do Estadão chamou de "cara de conteúdo", lembra? A pessoa tem que passar credibilidade. É o que o Cid Moreira tem. Aliás, tinha, até mandarem ele ler no Fantástico coisas como "Mister M, você é espada...".

O Boris Casoy também tem muita cara de conteúdo, até por se tratar de um homem maduro. Mas garotões também podem nascer com essa qualidade: aos vinte e poucos anos o William Bonner já tinha, lembra? É uma mistura de olhar compenetrado com tom de voz.

A Ana Paula Padrão tem cara de conteúdo, mas na minha humilde opinião não deveria fazer aquele sorrizinho sedutor quando diz "boa noite".

Reparo tanto os apresentadores que fico imaginando como eles devem ser na vida real. O Carlos Nascimento tem cara de quem sabe fazer churrasco. A Sandra Annemberg deve ser síndica do seu prédio. A Fátima Bernardes com certeza sabe contar piadas e a Mariana Godoy fez dança clássica ou é chegada em budismo e meditação.

Mas as aparências enganam. Do contrário, quem teria coragem de me colocar, de terno e gravata, apresentando um telejornal?

Maurício Ricardo Quirino, presidente das Organizações Charges.com.br, acha que não tem a menor cara de conteúdo.

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