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Editorial - 07/04/2003

Porque sou contra a guerra

No momento em que eu escrevo essas mal tecladas linhas a "Coalizão" (eufemismo para o louco do Bush e seus paga-paus) já está com o Iraque praticamente dominado, às custas de milhares de vítimas inocentes, fardadas ou não.

Depois de tantas charges malhando os EUA, muitos internautas me cobraram um Editorial falando sobre a guerra.

Resisti à idéia. Primeiro porque, se a opinião da Onu, da Rússia, da França, da Alemanha e - vá lá - do Brasil não fizeram a menor diferença, a minha é que não vai contar porcaria nenhuma. Ainda mais depois que os grandes articulistas do mundo inteiro já se debruçaram fartamente sobre o tema.

Mas se você está lendo esta seção é porque faz parte da nossa grande família internáutica. E é assim, com a intimidade que esse contato diário nos confere, que vou dizer em pouquíssimas palavras porque, desde o início, já saí zoando o Bush e seu belicismo, mesmo sabendo que essa caca toda visa tirar do poder um dos ditadores mais cruéis da era moderna.

Não vou falar sobre o interesse no petróleo iraquiano, os problemas na economia dos EUA, o desejo cego de vingança pelo 11 de setembro, a vontade de um filho mimado de se mostrar melhor que o pai... Você já leu bastante sobre essas teorias.

Vou dizer simplesmente que sou contra essa guerra porque guerra é assassinato. São homens e mulheres matando homens, mulheres e crianças. Um expediente extremo para a solução de conflitos, que absolutamente não combina com qualquer preceito moral de nossa civilização. Menos ainda se confrontado com o que diz a filosofia cristã, tão levianamente citada por George W. Bush em seus discursos.

Dá até pra entender que nos anos 40 vários países tivessem que derramar seu sangue para impedir o avanço de um invasor violento e poderoso como Hitler. Sim, é lamentável mas justificável a autodefesa de um povo invadido e bombardeado. Mas apontar Saddam Hussein e seu exército roto como uma ameaça à humanidade, ou mesmo apenas para os EUA, é no mínimo uma piada de mau gosto.

Hoje o grande inimigo dos EUA não tem nome nem rosto, embora alguns achem mais cômodo representa-lo exclusivamente através daquela figura barbuda chamada Osama Bin Laden.

Foi Osama e muitos outros osamas anônimos que arremessaram os Boeings contra o World Trade Center, não Saddam Hussein. O terrorismo não vai acabar com a queda do tirano iraquiano. O fundamentalismo islâmico não vai morrer, ao contrário, vai ganhar mais argumentos. O mundo - principalmente os EUA e a Inglaterra de Blair - se tornará um lugar ainda mais perigoso de se viver.

Mas isso tudo não é nada perto daquela questão maior: espera-se que homens bons e civilizados não matem. A lei dos homens condena os assasinos, privando-os do contato social. As leis de Deus - não importa por qual nome você O chame - também pregam a tolerância e o respeito à vida.

Uma guerra que teve sua origem do nosso lado do mundo, no nosso continente, em pleno ano de 2003, expõe de forma frustrante nossa fraqueza e brutalidade.

E é assustador pensar que um único homem, tendo força para decidir entre matar ou não matar milhares de pessoas, tenha optado pelo assassinato em massa de seus jovens soldados, e dos soldados e civis do país onde vive o "inimigo".

Bush é um monstro sanguinário, tanto quanto Saddam. E se compara a Bin Laden quando atravessa as fronteiras de seu país para espalhar terror, do outro lado do mundo, em nome de uma causa.

É por isso que, mesmo sem torcer pro Saddam, sou contra Bush e essa sua guerra vergonhosa.

(Maurício Ricardo, presidente das Organizações Charges.com.br, continua tomando Coca-Cola e comendo McDonald"s, mas trocou o BigMac pelo MacChicken porque ouviu dizer que Bush cria gado no Texas)

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